top of page

A Causa Liberal - Parte I

Vida, liberdade e propriedade privada. A tríade lockeana é, como tem sido explorado por diversos autores ao longo da história, o mote que alimenta o liberalismo clássico. Muitas vezes confundido com um individualismo exacerbado e antissocial, o liberalismo é, na verdade, uma doutrina comunitarista e que procura, acima de tudo, defender o humanismo.


Em "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", Max Weber (1905) demonstra o quanto o pensamento reformista da Europa renascentista influenciou a burguesia do século XVIII e XIX. Pensamento este pautado num humanismo antropocêntrico, na qual o ser humano é o centro do universo e não mais Deus em sua metafísica supranatural. Foi esta clivagem entre poder da Igreja Católica e o surgimento das Igrejas Protestantes que também emergiu a ideia de uma 'nação' própria, independente de uma autoridade externa.


Por toda a Idade Média, o Papa representava um centro de poder equivalente ao poder imperial de Carlos Magno ou dos antigos imperadores romanos. O pontífice era a a 'ponte' entre Reis e povos distintos, podendo fazer a guerra ou a paz de acordo com seus interesses 'eclesiásticos'. Muitos deles, na verdade, bastante seculares. A experiência europeia nas Cruzadas fez com que antigos conhecimentos clássicos (especialmente os greco-romanos) fossem apresentados aos monges e estudiosos da época. A própria Igreja forneceu, durante séculos, espaço profícuo para a preservação da tradição greco-romana.


Mas foi justamente por isso que, inevitavelmente, estes mesmos monges começariam a criticar a doutrina da Igreja. Monges como Martinho Lutero ou João Calvino são dos exemplos mais famosos. Mas houveram outros tantos, que ao longo dos séculos XV, XVI e XVII foram aprimorando a interpretação das escrituras tendo por base o humanismo clássico. As grandes navegações, a expansão dos impérios europeus além-Europa e a centralização de poder nos monarcas absolutos contribuiu, em grande medida, para o afastamento da doutrina cristã-católica dos decisores políticos europeus.


Foi isso que, estruturalmente, permitiu que Thomas Hobbes e Joch Locke, testemunhas das Guerras Civis inglesas, desenvolvessem seus tratados sobre o Estado e o Contrato Social entre os homens e o poder. Foi o que permitiu Locke compreender que, em última instância, o poder existe para preservar a vida, a liberdade e a propriedade. Pois do corpo nasce o princípio de todas as coisas e da própria experiência humana. Esta experiência, preservada pelas posses pessoais, é o que garante a liberdade de ação do homem no mundo. Disto temos que a tríade lockeana é, mais do que tudo, uma ode ao indivíduo. O mesmo indivíduo greco-romano que Lutero e Calvino reacenderam na Reforma.



1 comentário


Harpia Network
Harpia Network
04 de nov. de 2021

Deixe seu comentário e se inscreva no Harpia News para mais aprendizado sobre o Liberalismo Clássico!

Curtir

Formulário de inscrição

Obrigado!

  • Facebook

©2021 por Harpia News. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page