Semana de luto para a arte brasileira
- Harpia Network
- 6 de nov. de 2021
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Com a morte do pianista Nelson Freire na segunda-feira (01 de Novembro) e da cantora Marília Mendonça nesta sexta-feira (05 de Novembro), o país perdeu dois dos nomes mais importantes da sua arte. Um da música erudita e outra da música sertaneja.
Num mundo onde se popularizou vídeos de crianças asiáticas tocando piano de forma exemplar, fica fácil esquecer dos gênios que já faziam isso antes de a Internet virar moda. Uma destas crianças geniais era Nelson José Pinto Freire, nascido em 18 de Outubro de 1944. Em seu primeiro recital, aos cinco anos de idade, escolheu tocar a Sonata para piano n.º 11 em lá maior, K. 331, de Wolfgang Amadeus Mozart. Em apresentação de 2019, o pianista reproduziu este recital com o seu já consagrado toque mágico.
No ano de 1957, aos doze anos e idade, sagrou-se nono colocado no Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro, executando com perfeição o Concerto para piano nº. 5 “Imperador”, de Ludwig van Beethoven. Nesta oportunidade, ganhou do então presidente Juscelino Kubitschek uma bolsa de estudos para Viena, onde estudaria com Bruno Seidhofer, também professor de Friedrich Gulda. No ano de 1964, Nelson Freire conquistou o primeiro lugar no Concurso Internacional de Piano Vianna da Motta, em Lisboa, recebendo em Londres as medalhas de ouro Dinu Lipatti e Harrier Cohen.
A partir de 1959 sua carreira internacional decolaria. Com recitais na Europa, Estados Unidos, América Central, América do Sul, Japão, Israel e tocando junto aos maiores nomes de sua época, Gennady Rozhdestvensky, Rudolf Kempe e Lorin Maazel, para citar alguns. Sua discografia inclui obras do brasileiro Villa-Lobos, de Chopin, Debussy, Bach, Beethoven e outros monstros da música clássica mundial. Em 2003, Nelson foi tema de um documentário do cineasta João Moreira Salles, intitulado “Nelson Freire”.
Detentor de diversos prémios e condecorações internacionais, o pianista faleceu em sua residência no Rio de Janeiro, tendo recebido homenagem póstuma inclusive do Presidente da França, Emmanuel Macron. Freire deixa o marido, o médico Miguel Rosário, e um irmão. As causas da morte não foram reveladas.
Quatro dias depois que o gênio pianista se foi, o Brasil chocou-se com a morte prematura da cantora e compositora de sertanejo, Marília Mendonça. Nascida em 22 de Julho de 1995, Marília teve seu primeiro contato com a música através da Igreja e já aos doze anos de idade escrevia composições para grandes nomes, como Wesley Safadão (Muito Gelo, Pouco Whisky), Jorge & Mateus (Calma) e João Neto & Frederico (Minha Herança).
Em 2014 se lançaria como cantora com seu primeiro EP homônimo, e deste ponto em diante não pararia mais. Em 2015 lançou a canção “Impasse”, o primeiro single de Marília, que contou com a participação da dupla Henrique & Juliano. Em 2016, lançou o seu primeiro álbum, intitulado ‘Marília Mendonça: Ao Vivo’, contando com os singles ‘Infiel’ e ‘Sentimento Louco’. Foi com a canção ‘Infiel’, a segunda mais tocada na rádio brasileira daquele ano, que a cantora alcançaria reconhecimento nacional.
Em janeiro de 2017, Marília lançou seu segundo EP homónimo, sendo que em março ela lançaria também seu segundo álbum intitulado ‘Realidade’. Em julho ela alcançaria o posto de artista brasileira mais ouvida no YouTube, ficando em 13º lugar no ranking mundial. Em 2019 a artista lançou o primeiro volume do terceiro DVD de ‘Todos os Cantos’, álbum de sucesso da cantora. Em março do mesmo ano, ela foi alçada ao posto de número 1 no TOP 10 das mulheres mais ouvidas do Brasil no Spotify.
Conhecida como a ‘rainha da sofrência’, devido a natureza das letras de suas músicas, Marília manteve o ritmo durante a pandemia do covid-19, alcançado novos recordes nas redes sociais. Obteve até 3,5 milhões de acessos simultâneos no seu canal do YouTube durante sua primeira ‘live’. Recentemente uniu-se a duas amigas do mundo sertanejo, a dupla Maiara e Maraísa, com o projeto ‘Patroas’, exaltando o poder feminino e a voz das mulheres através das letras de suas canções.
A cantora faleceu num acidente aéreo na região de Caratinga, interior de Minas Gerais. Horas antes do acidente, interagiu com fãs, com o filho e havia se vacinado contra a covid-19. Morreram também o piloto, o copiloto, um assessor e um produtor. Marília deixa um filho de apenas dois anos, Léo, uma legião de fãs e um legado incrível (e precoce) de uma das maiores promessas da música brasileira.


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